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quarta-feira, 9 de março de 2011

Baby Doll (1956)


Finalmente saiu em DVD um dos mais perseguidos filmes da história de Hollywood. E olha que ele vinha assinado por dois dos mais prestigiados artistas da época: o diretor Elia Kazan e o dramaturgo/roteirista Tennessee Williams. O filme chegou a concorrer ao Oscar, mas a histeria de grupos conservadores acabou com sua carreira nos cinemas. 




Baby Doll (aqui, "Boneca de Carne") é realmente uma perversão só. Ele começa numa mansão completamente decadente do sul dos EUA onde a mobília foi entregue aos credores. Sobrou apenas um berção de bebê onde a tentadora Baby Doll (este é seu nome!) dorme de camisolinha chupando o polegar. Um homem abre um buraco na parede e se excita com a imagem - e ele é o marido dela, um empresário ignorante e decadente (Karl Malden) que casou quando ela era  ainda criança e jurou não tocar na menina até que ela fizesse 20 anos.


O filme se passa no dia anterior ao vigésimo aniversário de Baby Doll. O seu marido está enlouquecendo de vontade e ao mesmo tempo enfrenta um italiano rival nos negócios (Eli Wallace). O italiano vai até a casa dele  e consegue Baby Doll antes do marido. Baby Doll era para ser interpretado por Marilyn Monroe, mas o papel acabou com Carroll Baker, que faz uma personagem coerente com a miséria mental em que vive. 


Claro que sendo um filme de 1956, nem tudo isso é tão explícito quanto possa parecer. Mas ele nos fornece algumas imagens realmente fortes para a época. Como quando Baby Doll coloca o maior inimigo do seu marido para dormir no seu berço. E dorme também numa posição bem sugestiva.

quinta-feira, 3 de março de 2011

In Bruges (2009)



Eu já considerava o irlandês Collin Farrell um caso perdido de ator-que virou-caricatura-de-si-mesmo. Até que assisti In Bruges (de 2008, traduzido como Na Mira do Chefe). É um filme despretensioso escrito e dirigido pelo britânico Martin McDonagh e que funciona muito bem. 


Dois pistoleiros de Dublin são mandados pelo chefão a passar alguns dias na cidade turística belga de Bruges. O mais velho (Brendan Gleeson) curte a cidade medieval e espera pacientemente por novas ordens. O mais jovem (Collin Farrell) quer ir embora, aranja um monte de encrenca além de uma bela namorada vigarista (Clémence Poésy). Os dois gangsters desenvolvem uma relação de pai e filho, e aí o chefão (Ralph Fiennes) manda que o mais velho mate o mais novo.



A melhor coisa do filme me pareceu ser o modo não-caricatural como são desenvolvidos os personagens dos dois pistoleiros. Eles estão muito longe dos repetitivo clichê de bandido criado por Quentin Tarantino. O mais velho perdeu a conta das pessoas que matou, mas caminha por Bruges com um guia turistico na mão interessadíssimo na arte e na história da cidadezinha. O mais jovem é explosivo, mentalmente limítrofe e cai no choro com facilidade. São personagens ao mesmo tempo marginais e absolutamente universais. 



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Judoka (1969-1973)

 

A Editora Brasil-América foi a maior editora de quadrinhos do Brasil.  Tornou-se a maior divulgadora de história em quadrinhos do país, publicando revistas das duas arqui-rivais americanas, DC e Marvel. Em 1969 lançou seu primeiro herói brasileiro, o Judoka, criado por Pedro Anísio e Eduardo Baron.


Desde o início o objetivo da revista era criar uma forte identificação com os leitores brasileiro através de referências nacionais, incluindo seu uniforme: máscara verde e um quimono sobre um collant com a representalção da bandeira Brasileira. O super-poder de Judoka era... lutar judô. Seu verdadeiro nome era Carlos da Silva, que um dia salvou o mestre de judô Minamoto de ser atropelado. Como agradecimento, Minamoto ensina a Carlos os segredos da arte do judô. Ou seja, o Judoka estava mais para Karatê Kid do que para Super Homem.


Carlos da Silva tinha uma noiva chamada Lucia, que também virou mestre do judô e passou a atuar ao lado do amado. O sucesso foi grande: o Judola durou 4 anos nas bancas. Em 1973 virou um longa metragem (bem digno) escrito por Marcelo Ramos Motta (também diretor),  Pedro Anísio, Marina R Saraiva e Danilo M Souza. O herói era interpretado pelo cabeludo ator-modelo Pedrinho Aguinaga. No papel de sua noiva Lucia estava Elizângela, até hoje atuando nas novelas da Globo: 









Referência: Wikipedia. Agradecimentos a João Antonio e Nei Lima.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

District 9 (2009)


District 9 é o cruzamento de Tropa de Elite com Alien. Uma nave espacial estaciona sobre Johannesburgo, na República Sul Africana. O governo sul-africano descobre aliens em estado desesperador no interior da nave, e os trás para  uma área reservada chamada distrito 9. Que vira um favelão.


Uma das ótimas sacadas do filme é não vitimizar demais os alienígenas. Eles são (em geral) truculentos, sujos, se metem com gangsters, fazem tráfico de armas,  se drogam com comida de gato. E são tratados como lixo pelas autoridades terrestres. A comparação com os guetos para a população negro ali mesmo nos subúrbios de Johannesburgo durante a época do apartheid é mais do que óbvia. 


District 9 foi produzida por Peter Jackson, o gênio neo-zelandês por trás da trilogia Senhor dos Anéis. O diretor Neill Blomkamp é sul-africano. O roteiro de Blomkamb e Terri Thatchell começa como um documentário, e depois centraliza a ação dramática num burocrata do governo chamado Wikus, que se torna ele mesmo um alienígena. Não gostei da interpretação debochada demais do protagonista, o ator novato Sharlto Copley. E toda uma subtrama envolvendo os vilões de sempre (a mega corporação sem escrúpulos, os cientistas sem coração, os militares malvados) me pareceu muito convencional.


Mas District 9 é um marco. A primeira ficção científica "de terceiro mundo", uma visão diferente de tudo o que o cinema já mostrou em matéria de alienígenas. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ópera para todos: Carmen


Minha tese sempre foi a de que quem quer adquirir cultura geral deve freqüentar as bancas de jornal. Um ótimo exemplo disso é a coleção Grandes Óperas da Folha de São Paulo, que começou agora.


Serão 25 volumes, cada um com dois a quatro CDs. O livrinho é um excelente guia. Ele dá o famoso resumo da ópera, comenta a gravação, localiza a obra na biografia do autor. E nos entrega o libreto inteiro, na língua original e na sua tradução em português. Estou entendendo melhor o quarteto amoroso de Carmen, de Georges Bizet avançando nessa leitura e compreensão faixa a faixa.


Os 25 volumes (a 16 reais cada) vão trazer as obras que todos ouvimos falar sem conhecer em detalhes: O Barbeiro de Sevilha, La Traviata, A Flauta Mágica, A Valquíria, Tosca, As Bodas de Fígaro, Aida, e até a brasileira O Guarani, de Carlos Gomes. Outra boa viagem para se fazer semana a semana.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cisne Negro (2010)



Cisne Negro não é exatamente um filme muito original. O que o torna obrigatório é o jeito como estão misturados os elementos que já conhecemos. Eu já conhecia o diretor Darren Aronofsky de outro filme muito bom chamado Réquiem Para um Sonho (2000), que já deixava claro que de loucura ele entende.  Black Swan é um filme aparentemente sobre esquizofrenia, embora não exista nenhum parecer médico no enredo. 


Em Black Swan merece especial elogio o autor do argumento, Andrés Heinz. A idéia de recriar o mito do Lago dos Cisnes num filme sobre os bastidores de uma grande montagem do balé O Lago dos Cisnes funciona com perfeição. Todos sabemos como acaba. Mas saímos do cinema sem saber nem se o final é real. Os roteiristas Mark Heyman, John McLaughlin e o próprio Heinz não deixam a bola cair. A tensão começa na primeira e vai até a última cena.


Nem é preciso repetir os elogios já feitos a Natalie Portman. Essa é Atriz literalmente desde criancinha. Uma boa surpresa é a presença de Mila Kunis (a futilzinha dominadora da série That 70s Show) como a amiga/rival da protagonista. E a presença intimidadora do francês Vincent Cassel como o diretor da companhia de balé. 


Aí está um filme cuidadoso, efetivo e cheio de detalhes visuais (por exemplo: praticamente todos os personagens se vestem ou de branco ou de preto). Antes que alguém venha com a conversa de que é "cinemão de Hollywood", é bom que saiba que foi uma produção de 13 milhões de dólares. É uma quantia ridícula para uma produção desse porte. E está evidente de que cada centavo foi muito bem empregado.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Alceu Valença - Vivo! (1976)



Em 1976 o cantor e compositor pernambucano promoveu o show "Vou Danado Prá Catende" andando com um megafone nas ruas de São Paulo. Eu compareci. Uma vez, duas, três. Foi o meu show de música brasileira favorito de todos os tempos.  Depois descobri que muito de sua performance era inspirada por Ian Anderson, do Jethro Tull. Ele até usava (muito bem) um flautista em Vivo!  


Suas letras trazem a grandeza  temática dos tradicionais violeiros nordestinos com suas visões míticas e alertas apocalípticos. Como em Punhal de Prata: "Mas eu não quero viver cruzando os braços / Nem ser cristo na tela de um cinema / Nem ser pasto de feras numa arena / Nesse circo eu prefiro ser palhaço / Eu só quero uma cama pro cansaço / Não me causa temor o pesadelo / Tenho mapas e rotas e novelos / Para sair de profundos labirintos / Sou de ferro, de aço de granito / Grito aflito na rua do sossego".


Ele começa com seu manifesto pessoal em Descida da Ladeira: "Alceu Valença já não acredita / Na força do vento que sopra e não uiva / Na água da chuva que cai e não molha / Já perdeu o medo de escorregar". Eu pessoalmente me identifiquei de cara com o clima de Pontos Cardeais: "Eu quero meu rádio de pilha ligado / No mesmo segundo em quatro estações / Sentir o bocejo da boca do mundo / Ouvir num segundo duzentas canções"

Alceu era livre, e confessava sem qualquer vergonha ter escrito umas "duzentas músicas" para sua mãe antes de cantar Edipiana Numero 1. Mas o grande hit que levantava a platéia era o Papagaio do Futuro, o perfeito rock-embolada: "Eu tô ligado no futuro indicativo / Já não corro mais perigo / E nada tenho a declarar / Terno de vidro costurado a parafuso / Papagaio do futuro / Num para-raio ao luar". 


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Capitão 7 (1954-1966)


Minha geração teve uma televisão tão limitada e precária que a gente acreditava em super-heróis como o Capitão 7, essa figura aí de cima. Era tudo muito primário, mas convencia! Era transmitido ao vivo. Os atores que interpretavam os vilões morriam de medo do ator que fazia o papel do super-herói, o mineiro Ayres Campos. Ayres se entusiasmava com o papel e batia mais do que seria o combinado. Esses pioneiros davam o sangue por nós.


A história: Capitão 7 foi levado quando criança ao "Sétimo Planeta" onde adquiriu seus super-poderes. (Na verdade o número se referia ao Canal 7, a TV Record de São Paulo). Na sua vida civil, era um químico chamado Carlos. Namorava Silvana, interpretada pela garota-propaganda Idalina de Oliveira. O caso dos dois durou 12 anos no ar e teve casamento e uma espécie de lua-de-mal no Sétimo Planeta, onde Silvana também ficou super-poderosa.


A série deu tão certo que virou uma revista em quadrinhos de alta qualidade. A série foi criada por Rubem Biáfora e virou mania entre as crianças brasileiras. O uniforme era sucesso absoluto de Natal.  (Eu fiquei muito feliz quando ganhei meu cinto do Capitão Sete, igual a esse da ilustração acima). 


Os poderes do Capitão Sete, segundo a Wikipedia: 
"O Capitão 7 é capaz de voar e se mover com grande velocidade. Também possui super-força e é praticamente invulnerável, além de ser capaz de resistir a ambientes inóspitos (como, por exemplo, viajar através do vácuo). Seus poderes, no entanto, funcionam completamente apenas enquanto estiver utilizando seu uniforme especial, que Carlos mantém guardado em uma caixa de fósforos enquanto se mantém em sua identidade civil. Sempre que necessário, o Capitão ainda pode viajar até o Sétimo Planeta e recorrer à ajuda de seus patronos, donos de uma ciência e tecnologia muitíssima mais avançadas do que as da Terra".


Aqui embaixo um precioso documentário sobre a série exibido no programa Arquivo N:

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Karate Kid (2010)


O Karate Kid de 1986 (com Ralph Macchio e Pat Morita) foi mais que um filme. Foi um evento, virou uma mania. O "golpe do gafanhoto" virou um ícone pop mil vezes imitado e parodiado.


O DVD da versão 2010 chegou às locadoras. Ele segue passo a passo a versão original. Mas consegue ser ao mesmo tempo muito diferente do original. A história é a mesma: menino sofre de bullying na escola, e arranja um mestre improvável para orienta-lo no caminho da superação. No lugar do Japão, está a China. Em vez de karate, kung-fu. 



A refilmagem é meio longa (140 minutos) mas eu não senti o tempo passar. As cenas de luta são muito boas. Jack Chan, no papel do mestre, dessa vez se afasta da caricatura que criou de si mesmo, como uma espécie de Renato Aragão de Hong Kong. Este talvez seja o melhor papel de sua carreira.


E tem Jaden Smith, o incrível filho de Will Smith e Jade Pinkett Smith, que carrega o filme nas costas aos 11 anos de idade. O moleque herdou o carisma e o senso de humor do pai. Só falta gravar um disco. 

Aliás, não falta. Ele gravou o tema do filme ao lado de Justin Bieber. 143 milhões de acessos no YouTube até agora:




Aqui, o trailer oficial do filme:

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Alô, Doçura! (1953-1964)


A primeira sitcom da TV brasileira. Foram nove anos de sucesso na extinta TV Tupi. Foi criada por Cassiano Gabus Mendes, que depois se tornaria um dos principais escritores de novela do Brasil.

Alô Doçura era extremamente simples. Um casal que apesar de todos os incidentes e confusões (típicas de uma sitcom) mantém a mesma paixão do início. Fazia parte do charme da série ser estrelada por um casal da vida real: John Herbert e Eva Wilma. Dois monumentos da história da televisão brasileira.  John Herbert, um ator cômico de primeira linha, faleceu no há uma semana atrás aos 81 anos. Eva continua atuando aos 78. Você pode conhecer mais sobre essa grande atriz no seu site oficial.